Eu digo NÃO!

Em defesa da língua portuguesa, o autor deste blogue não adopta o "acordo ortográfico" de 1990 por este ser inconsistente, incongruente e inconstitucional, para além de, comprovadamente, ser causa de crescente iliteracia em publicações oficiais e privadas, na imprensa e na população em geral.


08/08/2009

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Segundo se crê, a primeira referência a Galegos Santa Maria, muito antes do o ser institucionalmente, remonta ao longínquo ano de 1081, numa altura em que reinava Afonso VI de Leão e Castela, num documento compilado na obra de Alexandre Herculano: "Portugaliae Monumenta Historica", na secção "Diplomata et Chartae", que constava do Tombo de São Simão da Junqueira. Nele se descreve um testamento feito por Gondisalvus Luz a sua filha Unisconi, como dote de casamento, a doação de uma série de villas entre os rios Lima e Mondego, com os seus servos, os filhos destes e netos, animais e haveres. Aqui transcrevo o mais importante: ... Et ego Gondisalvus luz dou a tivi dulcissima mea Unisconi Prolix sosediz in titulum dotis Villas pronominates inter Limia et Katavo: Villa Quiriaz cum ajunctionibus suis, Villa Argunli cum ajunctionibus suis, Villa Gallegus cum ajunctionibus suis, Villa Frigida cum ajunctionibus suis, Villa Mediana cum ajunctionibus suis. ... ... id et prenominatos mancipios, et mancipias, cum filis e neptis; kavalos cum frenis, et celas numeratos viginti; hecoas numeros sex; vestitus natrom quales omnes pertine; vacas bitulatas quadraginta; pegora permista numerum tercentum; ... notum die erit octavo kalendas magii era milesima centesima decima nona. ... Sabemos que outros "Galegos" existem, mas não entre o rio Lima e Cávado, pelo que só se podem estar a referir a Galegos Santa Maria. Mais, como podem verificar, também se referem à Villa de Quiriaz, ora Quiraz esteve desde sempre ligada a Galegos como sua anexa em termos religiosos, já que era o Abade de Galegos quem nomeava o padre para lá, o que nos leva a supor, como aliás o Dr. Francisco Almeida já aventava nos seus escritos sobre a nossa história, esta ligação venha dessa altura, o que reforça ainda mais esta convicção de que a Villa Gallegus mencionado no testamento, se trata efectivamente de Galegos. Com a reforma administrativa de 1835, que reformulou o mapa administrativo de Portugal, o concelho de Prado acabou e as suas freguesias foram distribuídas pelos concelhos de Vila Verde, Braga e Barcelos, sendo Quiraz incorporada na paróquia de Roriz.

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